Integrantes da Beija-Flor beijam a taça (Foto: Alexandre Durão / G1)
A Beijar- For de Nilópolis, com seu enredo de exaltação da cultura e da alma africana, venceu o carnaval carioca, superando a polêmica do apoio recebido da Guiné Equatorial – país que vive sob ditadura e que foi homenageado no desfile. Terceira escola a entrar na Sapucaí na segunda-feira (16), segunda noite do Grupo Especial do Rio, a azul-e-branca da Baixada Fluminense conquistou nesta quarta-feira (18) seu 13º título, com apenas um décimo perdido na apuração.
"Sentimento é de dever cumprido", comemorou o intérprete Neguinho da Beija Flor chorando Muito.
Na quadra lotada, com gritos de "A campeã voltou" (veja no vídeo abaixo), a torcida comemorou o título que não era conquistado desde 2011. Os outros campeonatos vencidos foram em 1763 ,1977, 1978, 1980, 1983, 1998, 2003, 2004 , 2005, 2007 e 2008.
Laíla, diretor da comissão de carnaval a Beija-Flor, desabafou, aos prantos: “ A gente está sempre buscando fazer o melhor para a escola de samba. Eu amo a minha escola, mas o enredo foi tão questionado, até mesmo dentro da escola. Me questionaram muito”.

Diretor da comissão de carnaval da Beija-Flor, Laíla comemora resultado (Foto: Alexandre Durão/G1)
A escola mostrou o enredo: "Um Griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade". A exaltação da cultura e da alma africana já havia dado à escola azul e branca da Baixada Fluminense vários campeonatos, que no total faturou 12 títulos no carnaval carioca.

A voz única e marcante de Neguinho da Beija-Flor, que completa 40 anos de escola, fez do samba-enredo o ponto alto e manteve a empolgação dos 3.700 componentes, distribuídos em 42 alas, sete carros e um tripé.
Homenagem polêmica
A Beija-Flor recebeu patrocínio da Guiné Equatorial, o país africano homenageado no enredo, que é uma ditadura comandada há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e tem como base da economia a exploração do petróleo. O patrocínio gerou muita polêmica.
O presidente da Beija-Flor, Farid Abraão, negou que o governo Guiné Equatorial tivesse investido R$ 10 milhões no carnaval da escola, mas admitiu ter recebido contribuição, sem, no entanto, informar o valor.
"A gente pegou um enredo para falar de um país africano, um país que até então muita gente não conhecia. Nossa questão aqui é carnaval. O regime não nos compete. Cuba era odiado pelo mundo democrático e hoje está sendo abraçado", disse Farid.
Representantes da Guiné Equatorial acompanharam o desfile de um dos camarotes.
Desfile afro colorido
Mas na hora do desfile da Beija-Flor, a política foi deixada de lado e o foco foi dirigido para as belezas e a cultura do país. O desfile teve alegorias e fantasias impactantes e rebuscadas, com uma profusão de máscaras, carrancas, búzios, plumas, palha e sisal.
Filho de ditador da Guiné Equatorial (de azul) acompanhou desfile (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
A comissão de frente veio sem elementos cenográficos. Munidos de lanças
e escudos, os bailarinos fantasiados de guerreiros formavam uma árvore
na avenida. Em formato de máscaras, os escudos causaram impacto ao
trazer movimentos de expressões faciais, comandados por controle remoto.À frente do abre-alas, um tripé trouxe uma escultura da imagem do diretor de carnaval na figura de um griô, velho sábio que conta as histórias antigas aos mais jovens.
Com máscaras, comissão de frente encarnou
guerreiros de uma tribo
(Foto: Reprodução/TV Globo)
O azul e o branco, cores da escola, apareceram somente o início do
desfile. Para mostrar a Guiné Equatorial ao público, predominou o verde
das florestas e da ceiba, conhecida como a "árvore da vida", um dos
símbolos da África Ocidental.guerreiros de uma tribo
(Foto: Reprodução/TV Globo)
O Sambódromo então foi tomado por uma explosão de cores para retratar ritos, costumes e roupas usadas pelos habitantes do pequeno país africano ainda hoje.
As investidas dos explodores europeus também foram lembradas, assim como o tráfico de escravos. Um carro com cacau, diamante e petróleo exaltou as riquezas do país.
Encerrando o desfile, a mistura dos povos e a celebração da formação da nação brasileira e o enlace entre o Brasil e a Guiné Equatorial.
Claudinho e Selmynha completam 20 anos de Beija-Flor
Mestre-Sala e Porta-Bandeira comemoraram
20 anos de parceria (Foto: Reprodução/TV Globo)
Claudinho e Selmynha, casal de mestre-sala e porta-bandeira símbolo da escola, comemoraram 20 anos de Beija-Flor.20 anos de parceria (Foto: Reprodução/TV Globo)
A rainha Raíssa Oliveira veio mais uma vez absoluta à frente dos 270 ritmistas da bateria dos mestres Plínio e Rodney.
Cláudia Raia, que desfila há anos pela Beija-Flor, veio com uma fantasia de "Deusa Soberana".
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-diretor geral da TV Globo, homenageado no último carnaval da escola, também voltou a desfilar.











