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Papa pede regresso aos valores essenciais


Na missa que celebrou na véspera do Natal, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco dirigiu-se aos católicos e instou aqueles que estão “intoxicados” por posses e pelas aparências superficiais para regressarem aos valores essenciais da vida.
Não é a primeira vez que o tema faz parte dos apelos de Francisco. Ao longo de quase três anos, já defendeu outras vezes a sobriedade e a compaixão pelos menos afortunados. Na celebração desta quinta-feira, afirmou que o Natal era a altura para “uma vez mais descobrir quem somos”.
E disse ainda que toda a gente devia permitir que “a simplicidade do Menino Jesus”, nascido na “pobreza” de uma manjedoura, apesar do seu carácter divino, inspirasse os seus espíritos e a sua vida.
“Numa sociedade tantas vezes intoxicada pelo consumismo e pelo hedonismo, pela riqueza e pela extravagância, pelas aparências e pelo narcisismo, esta criança apela-nos a agir com moderação, por outras palavras, de uma forma que é simples, equilibrada, consistente, capaz de ver e de fazer o que é essencial”, disse na homilia.
A celebração para cerca de dez mil pessoas começou com um longo cântico em latim, conhecido como Kalenda, a proclamação tradicional do nascimento de Jesus. De seguida, ouviram-se os sinos e o Papa beijou uma estátua do Menino Jesus.
A segurança estava mais apertada do que é normal para a época de Natal, com vários polícias a realizarem controlos na zona. Toda a gente que entrasse na basílica tinha de passar por detectores de metais.
O Papa argentino de 79 anos abordou alguns temas-chave do seu papado na homilia: misericórdia, compaixão, empatia e justiça. “Num mundo que muitas vezes é implacável com o pecador e brando com o pecado, precisamos de cultivar um sentido forte de justiça, para discernir e fazer a vontade de Deus”, disse. Francisco, que contou no início desta semana que teve uma ligeira gripe, parecia cansado e falou, por vezes, com uma voz rouca.
Enquanto não muda a doutrina fundamental da Igreja, Francisco tem apelado para uma instituição mais misericordiosa, que julgue menos e que tenha mais compaixão em relação a grupos como os gays e os divorciados que se recasaram pelo civil.
A ala conservadora tem criticado algumas das suas declarações, como uma das mais conhecidas – “Quem sou eu para julgar?” –, um comentário sobre os homossexuais que procuravam Deus. Para essas vozes, declarações como esta apenas semeiam a confusão entre os fiéis.
Parte da mensagem deste Natal foi também um apelo para se repensar a forma como se trata o outro. “No meio de uma cultura de indiferença que não raro se transforma em crueldade, o nosso estilo de vida deve pelo contrário ser devoto, cheio de empatia, compaixão e misericórdia, a partir, todos os dias, da oração”, disse

Fonte:Paraiba.com 
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