O animal mais temido dos mares pode prevenir um problema
neurodegenerativo ainda sem cura: o Par-kinson. Um grupo internacional
de cientistas — de instituições do Reino Unido, da Espanha, da Itália,
da Holanda e dos EUA — descobriu que um esteroide presente no tubarão
consegue impedir o acúmulo de alfa-sinucleína, proteína cujo excesso
está vinculado à doença. Chamada esqualamina, a substância foi replicada
em laboratório e testada em vermes modificados para ter a complicação
cerebral que acomete humanos e teve resultados promissores. Os autores
do estudo, publicado na revista americana Proceedings of the National
Academy of Sciences, a Pnas, acreditam que os achados poderão ajudar no
desenvolvimento de novos tratamentos para a doença e outros problemas
cognitivos.
Mesmo possuindo um sistema imunológico considerado primitivo, tubarões
são resistentes a infecções, o que intriga cientistas e estimula
pesquisas diversas. “Suspeitávamos que esse animal produzisse compostos
protetores. Examinamos os tecidos do tubarão melga, porque é um peixe
extensivamente estudado em laboratório, e descobrimos um potente
composto antimicrobiano em seu fígado”, explica ao Correio Michael
Zasloff, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de
Georgetown, nos Estados Unidos.
Zasloff estuda a esqualamina há mais de 20 anos. A substância descoberta
em 1993 é sintetizada — replicada em laboratório, sem a necessidade de
utilizar substâncias retiradas do peixe. Ele e colegas partiram em
busca de aplicações médicas em que a molécula pudesse ser utilizada.
Apostaram no Parkinson e, para testar o composto, utilizaram vermes
Caenorhabditis elegans. Modificadas geneticamente, as cobaias, à medida
que envelheciam, acumulavam a proteína alfa-sinucleína nos músculos, o
que causava danos celulares e paralisia.
Sistema imune protege do câncer
Duas características intrigantes dos tubarões — a cicatrização rápida e a
maior resistência ao câncer — podem estar ligadas à mesma condição
genética. Feita por um grupo de cientistas dos EUA, a descoberta foi
divulgada na revista BMC Genomics e abre a possibilidade de
desenvolvimento de intervenções que podem beneficiar humanos.
"Usando abordagens genômicas para compreender a gênese da imunidade
desses animais, nós abrimos a possibilidade de chegar a muitas
descobertas emocionantes, algumas das quais com potencial para se
traduzir em benefício médico humano (…) Acabamos de aprender o que esses
animais antigos podem nos ensinar e, possivelmente, nos fornecer em
termos de benefícios biomédicos diretos", ressalta, em comunicado,
Mahmood Shivji, um dos diretores da Universidade Nova Southeastern e
coautor do estudo.
O estudo foi feito com tubarões martelo e branco. Dois genes imunes
dessas espécies chamaram a atenção da equipe: o legumain e o bag1. Eles
têm homólogos em humanos e a expressão exagerada está ligada ao
surgimento de cânceres. Nos grandes animais marinhos, no entanto, houve
uma seleção natural evolutiva que os distanciou dos carcinomas. Quanto à
cicatrização, em comparação com peixes ósseos, as espécies de tubarão
não só tinham uma proporção muito maior de genes envolvidos na imunidade
mediada por anticorpos, como várias dessas proteínas eram exclusivas
deles.
“Essa maior proporção poderia ser uma razão-chave por trás da luta
contra infecções e rápida cura de feridas”, diz Michael Stanhope, da
Universidade de Cornell, e líder da pesquisa com Shivji. Os autores
ressaltam, porém, que a ingestão de partes de tubarões não vai curar e
prevenir o câncer ou melhorar o tratamento de feridas. Ao contrário,
pode até ser prejudicial à saúde devido ao altor teor de mercúrio nesses
animais.
Da Redação
Com PB Agora





