Em Mari, na zona da mata paraibana, uma história de perseguição contra comunicadores na rádio comunitária Araçá FM se repete. Desta vez, o alvo foi o comunicador Silvano Silva, um dos locutores fundadores da rádio comunitária da cidade foi pela segunda vez expulso da rádio por conta de perseguição política.
Na noite da última terça-feira (22), o comunicador publicou em sua rede social uma nota onde relata uma conversa tida com o atual diretor presidente da rádio Araçá, senhor Zezinho do Evangelho, onde de acordo com o comunicador ficou evidente que um dos motivos de sua expulsão seria o seu trabalho como âncora do programa Sem Censura ao lado de Marquinhos Silva, programa este que tem se destacado pelo jornalismo independente que tem mostrado o que é feito de bom pela administração da cidade e os problemas e irregularidades dando espaço aos reclames e críticas do povo em relação à gestão municipal.
Em sua nota, Silvano Silva relata que o presidente da rádio Araçá, Zezinho do Evangelho durante a conversa que teve com Silvano para comunicar sua expulsão, chegou a reproduzir a gravação do último programa Sem Censura como forma de justificar a saída do comunicador. O último programa obteve destaque devido a matéria bombástica revelando uma regularidade no instituto da previdência municipal MariPrev. A nota poderá ser lida na íntegra ao final desta matéria.
Silvano Silva não foi o único. A direção da rádio comunitária que tem se perpetuado nas mesmas mãos acumula um longo histórico de perseguições a comunicadores por motivação político-partidária a exemplo dos comunicadores: Del Targino, Cristiano Fernandes, professor Josa, Manoel Pedro, Carlos Alcides, Kelly Cunha e outros que por terem uma ideologia diferente, terminaram sendo afastados. Comunicadores cujo trabalho foi feito em prol de uma comunicação democrática e sem amarras políticas, mas que por não concordarem com o favorecimento de programas da emissora à grupo político passaram a ser descartados sem nenhum respeito para que apenas quem comungue dos interesses políticos dos que fazem a emissora possam fazer parte do quadro de comunicadores.
Resta saber até quando o povo e as autoridades competentes irão assistir a tudo isso sem tomar uma atitude.
Confira a nota publicada pelo comunicador Silvano Silva em seu perfil no facebook:
NOTA AOS OUVINTES DO SILVANO SILVA
Venho por meio desta nota, comunicar aos amigos, ouvintes e apoiadores que desde este dia 21 de maio, por decisão manifestada pela presidência da Rádio Comunitária Araçá FM, estou afastado da emissora onde eu apresentava o programa Descontração, veiculado aos domingos no horário das 12h30 às 15h00, e o programa Levanta Poeira, com o personagem Mussulino ao lado do colega João Batista, no horário das 15h00 às 17h00.
O afastamento foi comunicado a mim pelo diretor-presidente José Joaquim (conhecido como Zezinho do Evangelho) e pelo diretor de programação João Marinho, durante conversa que tive com os mesmos no prédio da emissora neste dia 21 de maio, por volta das 19h30, onde a mim foi dito como “justificativa” para minha saída o argumento de que os programas citados estariam “fora dos padrões exigidos pela direção” e que a decisão foi pelo definitivo afastamento, que ainda de acordo com o senhor Zezinho, ocorre por decisão da diretoria.
No entanto, apaixonado pelo meu trabalho na comunicação e ciente de que tenho cumprido minhas atribuições de comunicador e de que o programa Descontração além do programa Levanta Poeira vinham mantendo o mesmo padrão de sempre e que nunca havia sido sequer notificado pela direção da emissora, levando em conta o grande número de ouvintes e os elogios feitos aos referidos programas, questionei quanto aos reais motivos de minha saída e tive a demonstração de que o Programa Sem Censura, o qual apresento junto ao companheiro Marcos Silva e que é veiculado pela página Canal Mari Sem Censura (no facebook) seria o real motivo, já que o senhor Zezinho, provocado por questionamento meu, reproduziu em seu próprio smartphone trecho gravado do último programa (no sábado, dia 19) onde foi levado a público a matéria sobre a situação do instituto Mari Prev do município de Mari, onde meu companheiro de programa fez críticas à postura omissa de jornalístico da Rádio Comunitária quanto aos reais problemas da cidade e criticou a conivência da direção para com um jornalismo tendencioso, sem pauta em prol do interesse coletivo e cujos objetivos são os de favorecer um grupo político, algo que apesar de concordar e me entristecer por essa realidade, sempre mantive uma postura mais reservada tendo em vista que fazia parte da emissora, numa linha de ética e respeito na qualidade de comunicador da casa, mas nunca me negando a lamentar a postura de ALGUNS colegas que há muito tempo deixaram de cumprir com um papel ético em prol da população para servir aos anseios de um grupo político-partidário da cidade. Posto isto, sou ciente de que minha saída do quadro de comunicadores da Araçá FM ocorre, PELA SEGUNDA VEZ, por PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E/OU IDEOLÓGICA, já que o fato de fazer parte de um programa informativo de opinião acerca de tudo o que ocorre em minha cidade Mari, tornou-se motivo para ser afastado do quadro de comunicadores de uma rádio comunitária que deveria abranger a todas as ideologias numa linha democrática, mas que infelizmente não tem sido dessa forma. Lembro que na primeira vez em que fui vítima de tal ato de perseguição, fui afastado e tempos depois, convidado a retornar ao quadro de comunicadores da Araçá FM, a qual sempre tive o maior respeito e retornei na esperança de que o ato repudiável de perseguição cometida contra mim e contra outros companheiros, não se repetiria. Estava enganado, pois há alguns meses, fiquei ciente de que até minha cabeça já havia sido pedida com o intuito de ser afastado e o dia chegou.
Saio sem mágoa de ninguém da direção ou dos colegas, pois a todos deixo o meu respeito e agradecimento pelo tempo em que estive contribuindo E MUITO com a rádio comunitária da minha cidade, pois fui um dos primeiros locutores fundadores e primeiro repórter responsável pelo primeiro furo de reportagem da Araçá FM, com registro no livro “Democracia no Ar”, do poeta, escritor e ex-presidente fundador da Rádio Araçá FM, Fábio Mozart.
Saio com a cabeça erguida, convicto de que não cometi erros, mas acertos ao buscar ser diferente de alguns. Sigo tranquilo na certeza de que cumpri com o meu papel, sempre respeitoso, ético e me doando ao máximo para levar a alegria e a descontração aos meus ouvintes aos quais deixo meu caloroso abraço na certeza de que estaremos nos encontrando em outros projetos, como por exemplo o Programa Sem Censura, que diferente de outros e numa linha ética, responsável, imparcial e voltada aos interesses do povo, tem levado a verdade ao povo, com liberdade de opinião e igualdade para que todos se expressem. A voz de Silvano Silva se cala na Rádio Araçá FM, mas continua em outros espaços onde a politicagem e a perseguição não interferem.
Um forte abraço a todos e meu sincero carinho a todos os ouvintes.
Silvano Silva
Da Redação
do Portal Umari
Com nota de Silvano Silva
Home
Cidades
EM MARI/PB - A HISTÓRIA SE REPETE COM SILVANO SILVA: ARAÇÁ FM EXPULSA MAIS UM COMUNICADOR POR PERSEGUIÇÃO POLÍTICA





