O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos Estados Unidos, afirmou no sábado que o número de mortos havia chegado a 3.308. Mas há ainda outros 4.382 casos sob análise, o que pode elevar a contagem final. A organização disse ainda ter confirmado mais de 24 mil prisões.
Uma reportagem do jornal britânico The Sunday Times calcula uma cifra ainda maior. Ouvindo funcionários de postos de emergência e clínicas de saúde no Irã, o jornal compilou ao menos 16,5 mil mortos desde o final de dezembro.
Já a autoridade iraniana ouvida pela Reuters afirmou que o número de mortes verificadas dificilmente “aumentará drasticamente”. O oficial pediu para não ser identificado.
A obtenção de informações a partir do Irã tem sido dificultada por apagões de internet, que foram parcialmente suspensos por algumas horas no início do sábado. No entanto, o grupo de monitoramento da internet NetBlocks disse que o bloqueio parece ter sido reimposto posteriormente.
Cresce tensão com EUA
Motivados por uma crise econômica, protestos começaram em todo o país em 28 de dezembro e, ao longo de duas semanas, se transformaram em manifestações generalizadas pedindo o fim do regime dos aiatolás. Trata-se da mais letal onda de agitação pública desde a Revolução Islâmica de 1979.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente intervir caso manifestantes continuem sendo mortos nas ruas ou sejam executados. Em uma postagem nas redes sociais na sexta-feira, porém, ele agradeceu a Teerã por cancelar a execução programada de 800 pessoas. Já no sábado, afirmou ao portal Politico que “é hora de procurar uma nova liderança no Irã”.
Também no sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, culpou Trump pelas mortes que ele teria causado ao Irã ao apoiar os manifestantes.
“Não vamos arrastar o país para a guerra, mas não deixaremos criminosos internos ou internacionais impunes”, disse Khamenei. Ele reconheceu que os atos levaram à morte de “milhares de pessoas”, as quais atribuiu a “terroristas e desordeiros” ligados aos Estados Unidos e a Israel.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, por sua vez, alertou que qualquer ataque a Ali Khamenei significaria uma declaração de guerra.
“Um ataque ao grande líder do nosso país equivale a uma guerra em larga escala com a nação iraniana”, disse Pezeshkian em uma publicação na rede social X, em aparente resposta a Trump.
Judiciário pode retomar execuções
Neste domingo, o porta-voz do Judiciário iraniano indicou que o país pode retomar a execução de manifestantes. “Uma série de ações foi identificada como Mohareb, o que está entre as punições islâmicas mais severas”, disse Asghar Jahangir em entrevista coletiva.
Mohareb, um termo jurídico islâmico que significa travar “guerra contra Deus”, é punível com a morte segundo a lei iraniana.
As execuções se somariam às mortes que ocorrem nas ruas. Um morador de Teerã disse ter testemunhado a polícia de choque atirando diretamente contra um grupo de manifestantes, em sua maioria jovens homens e mulheres. Vídeos que circulam nas redes sociais, alguns verificados pela Reuters, mostram forças de segurança reprimindo violentamente manifestações em todo o país.
Segundo o oficial iraniano, os confrontos mais intensos ocorrem em áreas curdas iranianas, no noroeste do país, onde há a atuação de forças separatistas.
Três fontes disseram à Reuters em 14 de janeiro que grupos separatistas curdos armados tentaram cruzar a fronteira do Iraque para o Irã, em um sinal de que entidades estrangeiras poderiam estar tentando se aproveitar da instabilidade.
“Sou contra este regime e participei de protestos, mas testemunhei alguns indivíduos armados disfarçados de manifestantes atirando contra civis. Eles não eram manifestantes comuns, carregavam armas e facas”, disse à Reuters, sob condição de anonimato, um iraniano em uma cidade do noroeste.
Com Band.Com

