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Acordo Mercosul-UE dá primeiro passo no Congresso e deve ser votado por comissão nesta terça

 

Tratado comercial está na pauta de colegiado, mas previsão é de que análise pelo Plenário da Câmara só ocorra após recesso de Carnaval.

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode passar pela primeira etapa de votação na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9). O tratado está na pauta da comissão que representa o Brasil no Parlamento do Mercosul, o Parlasul.

A expectativa é de que o texto seja aprovado sem longas discussões e que abra caminho para a apreciação dos deputados em plenário. A votação, no entanto, deve ficar para depois do Carnaval.

O relatório em análise foi elaborado pelo presidente da comissão, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e sustenta que o Congresso Nacional deve dar sinal verde ao acordo firmado entre os dois blocos econômicos. O parlamentar defendeu esse posicionamento na segunda-feira (9), durante reunião com representantes de partidos da Câmara.

Ainda segundo Arlindo Chinaglia, os deputados só poderão aprovar ou rejeitar o acordo, sem possibilidade de alterar o texto negociado entre o Mercosul e a União Europeia. No entanto, a votação poderá ser adiada caso haja pedido de vista — para alongamento do período de análise da matéria.

Mesmo assim, nos bastidores, a aprovação no Congresso Nacional é considerada certa, pois o acordo é visto positivamente por parlamentares de diferentes espectros políticos, além de contar com apoio do agronegócio.

Ao R7, Arlindo Chinaglia mencionou que o tratado, além de ampliar as negociações entre os blocos e pôr fim a 95% das tarifas sobre produtos importados pela União Europeia, vai gerar posto de trabalho no país.

“O acordo abre acesso preferencial a um mercado de 450 milhões de consumidores e a um PIB [Produto Interno Bruto] de mais de US$ 22 trilhões. Isso significa mais exportações, mais investimentos e mais empregos no Brasil”, completou.

Próximos passos

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo Mercosul-UE foi assinado em 17 de janeiro último, pelos presidentes dos dois blocos, durante uma cerimônia em Assunção, capital do Paraguai.

O documento cria uma das maiores zonas comerciais do mundo e marca um novo capítulo nas relações comerciais entre a América do Sul e a Europa.

Porém, para dar validade ao documento, o Congresso Nacional e os parlamentos de outros países do Mercosul precisam ratificar o acordo. No Brasil, a análise começa pela Câmara e, depois, seguirá para o Senado Federal.

A expectativa é de que o PIB brasileiro cresça 0,46% até 2040, segundo um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Principais pontos do acordo

Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
  • Mercosul: zera tarifas sobre 91% dos bens europeus por até 15 anos;
  • União Europeia: elimina tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul.

Ganhos imediatos para a indústria

  • Tarifa zero para diversos produtos industriais, como máquinas e equipamentos.

Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Empresas do Mercosul têm preferência;
  • Mais previsibilidade e menos barreiras técnicas.

Compromissos ambientais obrigatórios

  • Produtos beneficiados pelo acordo não podem estar ligados a desmatamento ilegal;
  • Possibilidade de suspensão do tratado comercial em caso de violação do Acordo de Paris.




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