Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes (PL Mulher / Ascom STF)
Após conversa com o ministro Alexandre de Moraes “com muita humildade, sem arrogância, nem bravata”, Michelle Bolsonaro (PL) tem atuado com o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, para impor uma trégua nos ataques bolsonaristas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A estratégia, segundo o jornal o Globo é “em vez de confrontar, é sensibilizar a Corte focando o discurso nas condições de saúde do ex-presidente”.
Segundo interlocutores da ex-primeira-dama, com a medida Michelle busca se recolocar na disputa eleitoral contra o enteado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência do clã.
Com o marido em prisão domiciliar, Michelle acredita que pode ter maior interferência nas decisões dele e trabalhar para uma chapa em que seria vice de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos-SP), que ainda segue como preferido de setores do Centrão, da Faria Lima e da mídia liberal.
Além de Flávio, a nova estratégia contrapõe outro enteado, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que nesta segunda-feira (2) voltou a propagar reportagens contra Moraes, compartilhando matéria do site Metrópoles que diz que a Media Trump, empresa que pertence a Donald Trump, teria “associado” o ministro ao caso Master em ação nos EUA.
Por outro lado, a estratégia casa com a dramatização feita por Carlos Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais. Também nesta segunda-feira, o filho “02” voltou a vitimizar o pai dizendo que “o que recebi hoje é mais uma vez alarmante: seu quadro só piora a cada dia”.
“A apatia se aprofunda de forma acelerada e visível. O que estão fazendo com um homem inocente não é fruto do acaso. Há método, há intenção. Estão, passo a passo, alcançando exatamente o resultado que desejam impor ao Presidente Jair Bolsonaro. Até onde pode chegar a maldade humana? Até que ponto irão, sem freios morais, sem limites legais, sem qualquer resquício de humanidade?”, escreveu Carlos nas redes.
Além do clã, a estratégia de Michelle e Costa Neto tenta cooptar quadros importantes do bolsonarismo, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que moderou o tom dos ataques a Moraes no ato final de sua marcha, mesmo após o ministro impor restrições, proibindo o evento próximo à Papudinha, onde o ex-presidente está preso.
Encontro com Moraes
Nas últimas semanas, Michelle e Tarcísio de Freitas iniciaram um levante junto a ministros do STF pela prisão domiciliar de Bolsonaro. A ex-primeira-dama teria conversado com “Moraes com muita humildade, sem arrogância, nem bravata”, segundo interlocutor, ressaltando que “houve um movimento mais forte, ordenado, coordenado, efetivo, uma força-tarefa mesmo para falar com os ministros”.
A ação visa tirar Bolsonaro da Papudinha usando uma suposta brecha deixada por Moraes na decisão em que determinou a transferência do ex-presidente para a Papudinha. Na sentença, o ministro pediu a avaliação do quadro clínico do ex-presidente a uma junta médica da Polícia Federal (PF) para avaliar “necessidades para o cumprimento da pena”.
A defesa do ex-presidente deve usar o parecer médico, que deve ser enviado ao Supremo nos próximos 10 dias, para comparar o caso de Bolsonaro com o do ex-presidente Fernando Collor (sem partido), condenado a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, que foi autorizado por Moraes a cumprir pena em prisão domiciliar.
Na decisão, o ministro do Supremo diz que “a compatibilização entre a dignidade da pessoa humana, o direito à saúde e a efetividade da Justiça Penal indica a possibilidade de concessão da prisão domiciliar humanitária a Fernando Collor, pois está em tratamento da Doença de Parkinson – há aproximadamente, 6 (seis) anos – com a constatação real da presença progressiva de graves sintomas não motores e motores, inclusive histórico de quedas recentes”.
Na nova representação, a defesa de Bolsonaro deve afirmar que o caso dele é mais grave do que o de Collor cobrando “tratamento isonômico”. Os advogados, no entanto, ignoram o fato que no caso de Collor não havia risco de fuga do país.
Nas conversas com Moraes e Gilmar Mendes, Tarcísio e Michelle ainda teria citado o caso do golpista Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, que morreu na Papuda após ter um mal súbito durante o banho de sol. O bolsonarista se tornou uma das principais bandeiras da ultradireita de conceder anistia aos condenados pela tentativa de golpe.
Com Forum






