Segundo a agência de notícias iraniana Fars, explosões foram ouvidas em cinco cidades: Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e na capital Teerã. O gabinete do líder supremo do Irã e o gabinete presidencial em Teerã também teriam sido atacados.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu uma “resposta esmagadora”, afirmando que os ataques ocorreram “mais uma vez durante negociações” com Washington.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que o Irã lançou ataques retaliatórios contra o território israelense.
Instalações da Marinha americana no Bahrein também foram alvo de mísseis, segundo o governo local, e explosões foram registradas em Doha, no Catar.
A operação contra o território iraniano acontece após semanas de negociações entre Washington e Teerã na tentativa de fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Na manhã deste sábado, Trump publicou um vídeo confirmando os ataques e afirmando que a ação seria uma forma de prevenção. O Irã “tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos bons amigos e aliados na Europa, nossas tropas estacionadas no exterior, e que em breve poderiam atingir o território americano”.
Os EUA vão reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e “aniquilar” sua Marinha, disse Trump. O presidente instou os iranianos a usarem o momento para derrubar o regime clerical do país. “Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações”, declarou.
O mandatário também disse aos membros das forças de segurança iranianas que receberiam “imunidade” se depusessem as armas, ou então “enfrentariam morte certa”.
Pouco antes de Trump confirmar os ataques, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, havia descrito a operação como um “ataque preventivo”.
Em um comunicado, o presidente israelense, Benjamin Netanyahu, disse ainda que “um regime terrorista assassino” não deve possuir armas nucleares “que lhe permitam ameaçar toda a humanidade”.
“Agradeço ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica”, afirmou.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos também se pronunciou. Disse que o país foi alvo de um “ataque envolvendo mísseis balísticos iranianos” e que os destroços, que caíram em uma área residencial em Abu Dhabi, mataram um civil de nacionalidade asiática, cujo nome não foi divulgado.
A Força Aérea dos Estados Unidos opera a partir de uma base em Al Dhafra, ao sul de Abu Dhabi, juntamente com a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos.
‘Resposta esmagadora’
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou em comunicado que, embora o Irã estivesse ciente das “intenções” dos EUA e de Israel de realizar ataques, participou das negociações com Washington.
A pasta ressaltou que os ataques ocorreram “enquanto o Irã e os Estados Unidos estavam em meio a um processo diplomático”.
A terceira rodada de negociações indiretas entre o Irã e os EUA foi realizada há dois dias, em 26 de fevereiro, em Genebra, sem grandes avanços.
O Irã e os EUA também realizaram cinco rodadas que não obtiveram resultado em maio de 2025. Uma sexta rodada, que era prevista para junho passado, acabou cancelada após Israel lançar ataques surpresa contra alvos iranianos, desencadeando um conflito de 12 dias no qual os EUA atingiram três importantes instalações nucleares do Irã.
Em nota, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o “inimigo” presumiu erroneamente que o povo iraniano “cederia às suas exigências mesquinhas por meio de ações tão covardes”.
Também confirmou que as forças armadas iranianas já iniciaram medidas retaliatórias e prometeu “manter o povo informado continuamente”.
O governo iraniano disse ainda que as operações dos EUA e de Israel poderiam continuar em Teerã e outras cidades, instando os cidadãos a “mantendo a calma” e se deslocarem para áreas mais seguras, sempre que possível, para evitar o perigo.
Também tranquilizou o público, afirmando que o governo “preparou todas as necessidades da sociedade com antecedência” e que “não há preocupação com o fornecimento de bens essenciais”, aconselhando as pessoas a evitarem centros comerciais.
Escolas e universidades permanecerão fechadas, os bancos continuarão prestando serviços e os órgãos governamentais vão operar com 50% da capacidade, informou o Conselho.
O Irã está agora sob um bloqueio de internet quase total, de acordo com a NetBlocks, uma agência de monitoramento da internet.
Esta não é a primeira vez em que a internet do país é interrompida. No mês passado, os serviços de telecomunicação foram cortados durante protestos em todo o país, que foram brutalmente reprimidos pelo governo.
Os EUA entraram brevemente no conflito, atacando três instalações — o maior complexo de pesquisa nuclear do Irã, em Isfahan, além de centros em Natanz e Fordo usados para enriquecer urânio para uso como combustível nuclear.
Trump disse que as instalações haviam sido “destruídas”. Uma semana depois, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, disse que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”, sugerindo que alguma forma de enriquecimento poderia ser retomada dentro de alguns meses.
A agência estima que, quando Israel lançou ataques aéreos em 13 de junho, o Irã tinha um estoque de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza — um pequeno passo técnico para atingir os 90% necessários para armas nucleares.
Grossi disse em outubro à agência de notícias Associated Press que essa quantidade — se enriquecida ainda mais — seria suficiente para produzir dez bombas nucleares.
Em novembro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à revista The Economist que o enriquecimento de urânio tinha sido paralisado.
No mês passado, ele causou controvérsia em outra entrevista, esta ao canal de notícias Fox News. “Sim, vocês destruíram as instalações, as máquinas, mas a tecnologia não pode ser bombardeada, e a determinação também não pode ser bombardeada.”
Grossi disse à Reuters em janeiro que conseguiu inspecionar 13 instalações nucleares no Irã que não foram bombardeadas, mas não as três principais que haviam sido. Ele afirmou que já tinham se passado sete meses desde a última verificação do estoque de urânio enriquecido do Irã.
Persistem incertezas sobre questões-chave, particularmente a localização e o estado do estoque, além da condição das instalações de enriquecimento.
Com BBC






