Nascido em São Roque, interior de São Paulo, em 16 de março de 1935, Juca deixa uma filha, Isabela, fruto de seu relacionamento com Maria Luisa Escorel.
Com mais de 40 anos de carreira e centenas de trabalhos no cinema, televisão e teatro, Juca de Oliveira é considerado um ícone da arte brasileira. Com clássicos da dramaturgia no currículo, interpretou Doutor Albieri, um médico geneticista que produzia um clone humano, em O Clone, de Gloria Perez.
Juca de Oliveira deixa legado de mais de 60 anos de carreira; relembre trajetória
Início da carreira
Juca de Oliveira contou, em entrevista ao Memória Globo, que chegou a trabalhar em um banco e foi só depois de um teste vocacional que ele viu o teatro como uma opção para a carreira.
“Trabalhava em um banco e, quando terminei o colégio, não sabia exatamente o que fazer. Resolvi fazer um teste vocacional e me disseram que eu não devia fazer nem Engenharia nem Medicina, porque, segundo eles, tinha dificuldade de raciocínio no campo espacial. Devo ter mesmo, porque até hoje não sei o que significa isso. Acabei fazendo faculdade de Direito na USP. Mas o teste vocacional tinha dito, para meu espanto, que eu devia fazer teatro”.
Por algum tempo, acumulou o banco, a faculdade de Direito e a escola de teatro. “Um belo dia tive que optar. E, como eu tinha me apaixonado desesperadamente pelo teatro, resolvi continuar na Escola de Arte Dramática. Tranquei o Direito no terceiro ano e não voltei mais, infelizmente”, contou na ocasião.
No Teatro Brasileiro de Comédia começou sua carreira profissional e encenou várias peças, como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, peça que lhe rendeu seu primeiro prêmio como coadjuvante, o Saci, outorgado por críticos do jornal O Estado de S. Paulo.
Nessa época, começou a se envolver com política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e atuando em sindicato. No início dos anos 1960, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império, comprou o Teatro de Arena, de José Renato. Era uma sala para apenas 80 ou 90 espectadores, onde foi encenado, por exemplo, sucessos como “Eles Não Usam Black-Tie”, de Guarnieri, um marco contra a censura no país.
O Arena foi um referência na história do teatro brasileiro, como um celeiro de produção intelectual e um centro contra a ditadura. “Não foi por acaso que o Teatro de Arena foi brutalmente atingido pela ditadura militar. O teatro foi fechado, nós fomos perseguidos. Uma tragédia”, lembrou o ator. Quando as perseguições começaram, Juca de Oliveira acabou se exilando na Bolívia, ao lado de Guarnieri.
Primeira telenovela
De volta ao Brasil, de volta aos palcos e, a novidade, com um contrato para trabalhar na TV Tupi. Juca participou de sua primeira telenovela na emissora, “Quando o Amor é Mais Forte”, em 1964. Também atuou nas primeiras cenas externas da televisão brasileira. Em 1969, protagonizou “Nino, o Italianinho”, um dos maiores sucessos da história da telenovela, tornando-se definitivamente um nome conhecido pelo grande público.
Trabalhou na TV Tupi com grandes nomes da teledramaturgia, como Janete Clair, Walter George Durst e Lauro César Muniz. Também dirigiu pela primeira vez, à frente da novela “Irmãos Corsos”: “A experiência foi um inferno. Também dirigi alguns ‘Alô, Doçura’, com John Herbert e Eva Wilma. Foi horrível. Caí fora, felizmente, e nunca mais dirigi.”
Em 1968, assumiu a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo, quando conseguiu importantes avanços para a categoria, como a regulamentação do ator, a quantidade máxima de tempo de gravação e, até mesmo, uma lei, que ele mesmo redigiu, estabelecendo que o texto teria que ser liberado para memorização 72 horas antes da gravação.
Foi nessa época que a Globo o convidou para fazer Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade. Mas Juca acabou estreando apenas em O Semideus, de Janete Clair, em 1973. Atuou em episódios do programa Caso Especial e, no ano seguinte, participou da novela Fogo sobre Terra, da mesma autora, quando fez par com Regina Duarte.
Saramandaia
Em 1976, Juca de Oliveira atuou em Saramandaia, de Dias Gomes, com direção de Walter Avancini. Mais novelas vieram, como Espelho Mágico, de Lauro César Muniz, em 1977, Pecado Rasgado, de Silvio de Abreu, em 1978, além de minisséries e outros Casos Especiais.
Em 1982, transferiu-se para a TV Bandeirantes, para fazer “Ninho da Serpente”, de Jorge Andrade, e “A Idade da Loba”, de Alcione Araújo. Em seguida, Juca atuou no SBT em “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Lauro César Muniz, e “Os Ossos do Barão”, de Jorge Andrade.
Dr. Albieri
Em 1993, Juca de Oliveira voltou para a Globo, para fazer o professor Praxedes em Fera Ferida, de Aguinaldo Silva. Logo depois, fez parte do elenco de Torre de Babel, de Silvio de Abreu, e viveu o Doutor Albieri, um médico geneticista que produzia um clone humano, em O Clone, de Gloria Perez.
Em seguida, duas minisséries também merecem destaque: Mad Maria, de Benedito Ruy Barbosa, em 2005, e Amazônia – De Galvez a Chico Mendes, de Glória Perez, em 2007. Ainda participou das séries S.O.S. Emergência e Diversão. Com, em 2010. Atuou em duas novelas de Walther Negrão: Araguaia, em 2010; e Flor do Caribe, em 2013.
No mesmo ano, interpretou Santiago em Avenida Brasil (2012). Em 2015, participou do seriado Os Experientes e no mesmo ano viveu dois personagens em Além do Tempo, de Elizabeth Jhin: Alberto Navona, e o Conde Alberto Castellini. Dois anos depois, deu vida a Natanael Montserrat em O Outro Lado do Paraíso, de Walcyr Carrasco.
Teatro sempre presente
Ao longo de todo esse tempo, jamais deixou o teatro, inclusive escrevendo e atuando em suas peças, como “Meno Male”, “Hotel Paradiso”, “Caixa Dois”, “Às Favas com os Escrúpulos” e “Happy Hour”.
No Programa do Jô, ele chegou a falar do desafio que era interpretar seis personagens na peça “Rei Lear”: “É a mais difícil e maior tragédia de Shakespeare. É uma coisa realmente terrível”, disse na ocasião.
Com Gshow
Foto: Reprodução/TV Globo






