Segundo a entidade, o parlamentar participou, na segunda-feira (6), de um culto na Assembleia de Deus – Ministério do Belém, na capital paulista, episódio classificado pelo movimento como um “sequestro do púlpito para fins eleitorais”.
Além do senador, também foram incluídos na denúncia o pastor José Wellington Bezerra da Costa e a Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB).
Propaganda eleitoral antecipada
De acordo com o relato, Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo em que aparece ajoelhado enquanto recebe uma oração conduzida por José Wellington, diante de dezenas de pastores.
Durante a oração, o líder religioso teria feito menção direta ao futuro político do senador, pedindo que ele fosse conduzido à Presidência da República. Após o momento religioso, o parlamentar também discursou no altar.
Na avaliação do Movimento Brasil Laico, o episódio configura propaganda eleitoral antecipada e viola a legislação que proíbe esse tipo de manifestação em templos religiosos, considerados bens de uso comum.
A entidade argumenta ainda que a cessão do espaço e do microfone caracterizaria uma doação estimável em dinheiro por parte de organização religiosa, prática vedada pela Lei das Eleições.
“A materialidade do ilícito é incontestável”, sustenta a representação, que afirma não haver ambiguidade no conteúdo da oração, interpretada como manifestação institucional em favor do pré-candidato.
Pedido de inelegibilidade
Na ação, o movimento solicita a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro e do pastor José Wellington Bezerra da Costa pelo período de oito anos, além da aplicação de multa máxima à CGADB e ao senador.
A entidade também afirma que o caso não seria isolado, mas parte de um padrão recorrente de uso de templos religiosos com fins eleitorais, citando episódios anteriores envolvendo outras lideranças políticas.
Campanha “eleições laicas”
A denúncia integra a campanha “eleições laicas”, criada por resolução interna do Movimento Brasil Laico em março de 2026.
A iniciativa busca monitorar e denunciar possíveis irregularidades envolvendo propaganda eleitoral em ambientes religiosos.
Segundo a organização, a defesa da laicidade do Estado passa pela fiscalização rigorosa desse tipo de prática, que, na avaliação do grupo, pode transformar templos em espaços de influência eleitoral.





