Nas redes sociais, a cobrança é direta. Moradores questionam o contraste entre o sofrimento das famílias atingidas e os altos investimentos em eventos festivos. “Tem gente perdendo tudo dentro de casa, não é momento de festa”, diz um comentário. “Cancelem essas festas e ajudem quem está precisando agora”, reforça outro.
Em cidades como Santa Rita, uma das mais afetadas, há relatos de grande parte das ruas com pontos de alagamento, dificultando a mobilidade e ampliando os transtornos. A situação se repete em outros municípios paraibanos, onde o volume de chuvas expõe a fragilidade da drenagem e a falta de planejamento urbano.
Mesmo diante desse cenário e com previsão de novos temporais, nenhuma prefeitura anunciou até agora o cancelamento ou suspensão de programações juninas milionárias. A ausência de qualquer revisão de gastos reforça a percepção de distanciamento entre a gestão pública e a realidade enfrentada pela população.
O caso de Pedras de Fogo ampliou a crítica. Mesmo com chuva, problemas registrados em várias áreas do município e uma cratera aberta em uma estrada que compromete o acesso à cidade, a programação do “Forró Fogo” foi mantida. O evento aconteceu normalmente, com estrutura de grande porte e atrações como Raphaela Santos, além de Raí (ex- Saia Rodada). A realização da festa, mesmo diante das dificuldades enfrentadas por moradores, intensificou a repercussão negativa e virou símbolo da insatisfação popular.
A crítica que ganha força agora vai além de um evento específico. Moradores apontam que, diante de um cenário de prejuízos e risco contínuo, insistir em festas milionárias representa uma escolha política que ignora prioridades básicas. A cada novo episódio de chuva, os mesmos problemas se repetem, e a resposta segue aquém da necessidade.
A pressão cresce e tende a ganhar desdobramentos. O recado nas redes é claro, antes de qualquer celebração, a população quer ver ação concreta para reduzir danos, garantir assistência e evitar que o prejuízo se repita.



Com Portal do Litoral






