Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital Dois Pinheiros na última segunda-feira (15), o cacique apresenta alterações da função renal e indicadores compatíveis com os de uma infecção grave.
A principal hipótese é de sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa, decorrente de um quadro de vômitos.
Como Raoni não foi registrado ao nascer, a data exata de seu nascimento é desconhecida. A partir de seus relatos, o antropólogo Fernando Niemeyer calcula que o cacique é de 1937, mas não há confirmação oficial sobre isso.
Raoni estava em sua residência, na região de Peixoto de Azevedo (MT), onde recebia visitas de líderes indígenas e pajés de seu povo, quando começou a passar mal. O primeiro episódio de vômito ocorreu na manhã de sábado (13).
No domingo (14), ele apresentou mais três episódios, acompanhados de tosse persistente, dor abdominal e eliminação de pequena quantidade de sangue pela boca. Ao longo do dia, alimentou-se apenas no café da manhã devido ao desconforto abdominal e à piora do estado clínico.
Diante da persistência dos sintomas, o líder indígena foi transferido de avião para Sinop. Ao chegar ao hospital, apresentava sinais de desidratação, sonolência acentuada e abdome distendido.
Raoni está recebendo hidratação venosa, antibióticos e suporte intensivo. O estado de saúde é considerado grave e exige acompanhamento ininterrupto da equipe multiprofissional.
A nova internação ocorre menos de um mês após o líder indígena ter recebido alta do mesmo hospital. Em maio, ele permaneceu internado após apresentar um mal-estar clínico e complicações respiratórias e gastrointestinais.
Antes, no mesmo mês, Raoni havia passado cinco dias hospitalizado para tratar dores abdominais associadas a uma hérnia.
Reconhecido internacionalmente pela defesa da amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985).
Nascido na aldeia Kapot, em Mato Grosso, o líder indígena só teve contato com um homem branco por volta dos 20 anos. Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting na Amazônia, iniciou uma série de viagens internacionais e se consolidou como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta amazônica e dos direitos indígenas.
Com Folha Online





