Advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho lembrou da manobra de Jair Bolsonaro em favor de Flávio que desencadeou o pedido de demissão do então "super" ministro da Justiça Sergio Moro, que à época acusou o ex-presidente de interferência na PF.
– Lula e Flávio com Jair Bolsonaro (Ricardo Stuckert / Reprodução)
Sem acesso ao processo que motivou a abertura de nova investigação da Polícia Federal (PF) contra Fábio Luís Lula da Silva, que classifica como “pesca probatório”, o advogado Marco Aurélio Carvalho, que faz a defesa de Lulinha e coordena a campanha jurídica de Lula em São Paulo, ressaltou a diferença do atual presidente e de Jair Bolsonaro nas investigações sobre os filhos em entrevista à Fórum.
“É importante dizer que o presidente Lula devolveu as instituições de Estado ao Estado brasileiro, notadamente a Polícia Federal, que tinha sido capturada pelo governo anterior, por interesses políticos eleitorais”, afirmou Carvalho, que também coordenador do Grupo Prerrogativas, que reúne advogados progressistas.
Em seguida, ele lembrou da manobra de Jair Bolsonaro, que resultou na troca do comando da PF no Rio de Janeiro e desencadeou o pedido de demissão do então “super” ministro da Justiça, Sergio Moro (PL-RP), que à época acusou o ex-presidente de interferência na corporação.
“O ex-presidente Bolsonaro, como é de conhecimento público, mudou cinco diretores da Polícia Federal com o objetivo de blindar sua família, blindar seus filhos e os seus aliados, coisa que o presidente Lula jamais faria e em hipótese alguma”, comparou.
“É importante dizer, entretanto, que a Polícia Federal, portanto, recuperou a independência e autonomia, que são determinantes para a manutenção da credibilidade da instituição. E ela precisa usar a independência e autonomia com responsabilidade. É estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito”, emendou Carvalho, sobre o pedido feito ao ministro “terrivelmente evangélico” André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que avalizou a nova investigação.
Pesca probatória
O advogado voltou a dizer que “a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de fish expedition, uma pesca probatória”, sobre o jargão usado para definir investigações desencadeadas em busca indícios de quaisquer crimes antes mesmo da abertura do inquérito.
Carvalho ainda afirmou não ter acesso ao pedido da PF a Mendonça solicitando aval da nova investigação e que vê com estranheza o fato de acusar Lulinha de “tráfico de influência” sendo que sequer foi citado, nas informações vazadas à mídia liberal, a qual programa ou projeto do governo estaria sendo negociado o suposto negócio, focado no comércio de canabidiol.
“Assim como o Fábio fez em relação ao inquérito do INSS, a gente vai novamente se colocar à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento. Mas como eu te disse, o curioso é, se fosse Fábio um cidadão comum, não fosse filho do presidente, seguramente esse inquérito nem sequer teria sido instaurado e o anterior já teria sido arquivado. Essa é a verdade. Se ele não fosse filho do presidente Lula, o inquérito anterior já teria sido arquivado e esse nem sequer teria sido instaurado, porque não há qualquer tipo de motivo que determine uma conduta diferente. Ao contrário, exatamente ao contrário”, afirmou, sobre as acusações de fraudes no INSS, que foram desmentidas e que motivou o novo pedido de investigação.
“Então, causa estranheza, causa perplexidade. Mas, ele vai fazer o que precisa fazer, se colocar à disposição das autoridades e explicar o que quer que seja. Eu confio de fato no ministro André Mendonça, não tenho por que duvidar. Tenho certeza absoluta que ele vai continuar conduzindo isso com seriedade, com integridade”, concluiu.
Entenda o caso
A solicitação da PF, feita na última sexta-feira (24) e distribuída a Mendonça nesta quarta-feira (29), coloca Lulinha em uma nova investigação após a conclusão do primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, em 15 de julho, com o indiciamento de 48 pessoas por envolvimento no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Fábio Luís Lula da Silva não apareceu na lista.
Na ocasião, a PF investigou alegações de que Lulinha teria recebido pagamentos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema. Contudo, as apurações não encontraram provas dos supostos repasses ao filho do presidente.
Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025, a quebra de sigilo detectou a movimentação de R$ 19,5 milhões, composta por R$ 9,774 milhões em créditos e R$ 9,758 milhões em débitos, refletindo a dinâmica de suas empresas, a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia, sem evidências de repasses ilegais.
Agora, os investigadores alegam que o tráfico de influência tenha sido exercido junto ao Ministério da Saúde, em uma suposta atuação conjunta com Roberta Luchsinger em favor da empresa World Cannabis, ligada ao “Careca do INSS”.
Com Fórum





