Segundo integrantes do governo, ao longo do último ano foram realizadas cerca de 30 reuniões entre representantes dos dois países para discutir a política comercial. O Brasil também respondeu às alegações apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), mas, até o momento, não houve mudanças na decisão norte-americana.
Na avaliação do governo, a proximidade das eleições brasileiras influencia o cenário. A expectativa é de que os Estados Unidos aguardem o resultado do pleito antes de reavaliar a política tarifária. Integrantes da diplomacia brasileira acreditam que uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá levar Washington a retomar as negociações em outro patamar, enquanto uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia atender parte das demandas defendidas pelo governo norte-americano.
Outro fator que reforçou essa percepção foi a manifestação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que afirmou que o governo brasileiro “não agiu de boa-fé” nas negociações. Para diplomatas brasileiros, a declaração demonstra pouca disposição para uma flexibilização imediata das tarifas.
Negociações continuam
Apesar do cenário desfavorável, o governo brasileiro afirma que permanecerá na mesa de negociações. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reiterou que o Brasil continuará buscando um acordo considerado benéfico para os dois países.
Até o momento, não há previsão de uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para tratar do tema.
Governo prepara medidas para empresas
Enquanto tenta avançar nas negociações, o governo também trabalha em um pacote de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço. A estratégia inclui a ampliação de linhas de crédito e incentivos para diversificação dos mercados de exportação.
Os recursos deverão ser disponibilizados por meio do Programa Brasil Soberano, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo já havia anunciado um reforço de R$ 15 bilhões para o programa, destinado a apoiar empresas exportadoras impactadas pelas novas tarifas.
Segundo o MDIC, aproximadamente 2,4 mil empresas brasileiras poderão ser afetadas pela medida, principalmente dos setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar.
As novas tarifas começam a produzir efeitos a partir da próxima quarta-feira (22). Além das medidas de apoio financeiro, o governo também aposta na ampliação das exportações para outros mercados. De acordo com o MDIC, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,4% para 9,4% desde a adoção das primeiras tarifas comerciais.
Com Polêmica Paraíba
Com Imagens: Daniel Torok/Casa Branca





