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Governo vê poucas chances de EUA flexibilizarem tarifaço antes das eleições presidenciais

 O governo brasileiro avalia que há poucas chances de os Estados Unidos ampliarem, no curto prazo, a lista de produtos brasileiros isentos da tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump. Apesar de manter as negociações diplomáticas, integrantes da equipe econômica e da diplomacia entendem que a medida tem motivação política, o que reduz as perspectivas de avanços antes das eleições presidenciais de outubro.

Segundo integrantes do governo, ao longo do último ano foram realizadas cerca de 30 reuniões entre representantes dos dois países para discutir a política comercial. O Brasil também respondeu às alegações apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), mas, até o momento, não houve mudanças na decisão norte-americana.

Na avaliação do governo, a proximidade das eleições brasileiras influencia o cenário. A expectativa é de que os Estados Unidos aguardem o resultado do pleito antes de reavaliar a política tarifária. Integrantes da diplomacia brasileira acreditam que uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá levar Washington a retomar as negociações em outro patamar, enquanto uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia atender parte das demandas defendidas pelo governo norte-americano.

Outro fator que reforçou essa percepção foi a manifestação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que afirmou que o governo brasileiro “não agiu de boa-fé” nas negociações. Para diplomatas brasileiros, a declaração demonstra pouca disposição para uma flexibilização imediata das tarifas.

Negociações continuam

Apesar do cenário desfavorável, o governo brasileiro afirma que permanecerá na mesa de negociações. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reiterou que o Brasil continuará buscando um acordo considerado benéfico para os dois países.

Até o momento, não há previsão de uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para tratar do tema.

Governo prepara medidas para empresas

Enquanto tenta avançar nas negociações, o governo também trabalha em um pacote de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço. A estratégia inclui a ampliação de linhas de crédito e incentivos para diversificação dos mercados de exportação.

Os recursos deverão ser disponibilizados por meio do Programa Brasil Soberano, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo já havia anunciado um reforço de R$ 15 bilhões para o programa, destinado a apoiar empresas exportadoras impactadas pelas novas tarifas.

Segundo o MDIC, aproximadamente 2,4 mil empresas brasileiras poderão ser afetadas pela medida, principalmente dos setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar.

As novas tarifas começam a produzir efeitos a partir da próxima quarta-feira (22). Além das medidas de apoio financeiro, o governo também aposta na ampliação das exportações para outros mercados. De acordo com o MDIC, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,4% para 9,4% desde a adoção das primeiras tarifas comerciais.



Com Polêmica Paraíba

Com Imagens: Daniel Torok/Casa Branca

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