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GRAVÍSSIMO: Amanda CSI relata atuação de facções nas eleições, ameaça com arma e detalha saída do MDB de Veneziano: “Parecia que eu estava compactuando”

 

Uma revelação gravíssima da perita criminal Amanda CSI traz novamente à tona as denúncias sobre a atuação de facções criminosas nas eleições de João Pessoa em 2024. Em entrevista ao canal Intrometidas, Amanda, que disputou a vice-prefeitura na chapa de Ruy Carneiro, relatou momentos de extrema tensão durante a campanha e afirmou que chegou a ser ameaçada com arma.

“Eu tive arma apontada pra mim. Ruy teve arma apontada pra ele. Eu tive que ser escoltada porque eu tinha medo da minha vida ali. Eu não tenho medo nenhum de falar isso porque nós temos provas”, afirmou Amanda durante a entrevista.

Segundo seu relato, os fatos foram documentados e as provas entregues às autoridades. Amanda afirmou ainda que ela própria, Ruy Carneiro e outras pessoas foram ouvidas no âmbito das apurações da Polícia Federal. “Nós apresentamos à Polícia Federal e ela abriu o inquérito. E esse inquérito corre. E não são só aquelas provas”, declarou.

O que Amanda relata agora encontra respaldo em fatos que já haviam sido tornados públicos durante a própria eleição. Em agosto de 2024, Ruy Carneiro e Amanda registraram ocorrência após denunciarem que uma atividade de campanha havia sido impedida por ameaças atribuídas a uma facção criminosa. O caso ganhou tamanha repercussão que o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, solicitou proteção da Polícia Federal para Ruy. Naquele período, a PF também investigava a possível interferência de facções no processo eleitoral de João Pessoa.

Ao explicar sua saída do MDB, partido comandado na Paraíba pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, Amanda relacionou a decisão ao que havia vivido durante a campanha. Ela disse que o partido trouxe para o seu lado algo com o qual não concordava. A entrevistadora perguntou: “Você fala do candidato Cícero Lucena?”. Amanda confirmou.

“Ficar no MDB pra mim, repito, não é a questão da pessoa, é a questão do que eu vivi. E não daria pra eu, de repente, estar em um local em que parecia que eu tava compactuando com o que eu vivi”, declarou.

O que veio depois aumentou ainda mais o peso das denúncias feitas durante a eleição. A Polícia Federal indiciou Lauremília Lucena, esposa de Cícero, e Janine Lucena, filha do então prefeito, por suspeitas de crimes eleitorais, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação divulgada à época, era apurada a existência de um suposto acordo com integrantes da facção Nova Okaida envolvendo apoio político, acesso a comunidades e cargos na administração municipal. As duas negam as acusações. O indiciamento não representa condenação, e Cícero Lucena não foi indiciado naquele inquérito.

Dois anos depois, Janine Lucena voltou ao centro do caso. Escolhida para ocupar a primeira suplência do senador Veneziano Vital do Rêgo, ela teve o registro de candidatura indeferido por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. A ação foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral com base em elementos da Operação Mandare e em suspeitas relacionadas à influência do crime organizado no processo político-eleitoral. Da decisão ainda cabe recurso.

Na decisão, a relatora afirmou que o conjunto apresentado revelaria uma “vinculação funcional consciente” entre a atuação político-eleitoral de Janine e a estrutura coercitiva da organização criminosa. A defesa nega as acusações e anunciou que recorrerá da decisão.

É essa sequência que torna a nova entrevista de Amanda tão pesada. Em 2024, ela e Ruy denunciaram ameaças atribuídas a facções, entregaram elementos às autoridades e foram ouvidos pela Polícia Federal. Agora, Amanda afirma publicamente que teve arma apontada contra ela, reafirma que existem provas, cita nominalmente Cícero Lucena quando questionada sobre aquele contexto e, ao explicar sua saída do MDB, diz que permanecer no partido poderia transmitir a impressão de que estava compactuando com aquilo que havia vivido.

No intervalo, a esposa e a filha de Cícero foram indiciadas pela Polícia Federal, e Janine acabou tendo o registro de candidatura à primeira suplência de Veneziano indeferido pela Justiça Eleitoral.



Com Portal do Litoral

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