A possível composição reuniria dez partidos de centro, além de siglas da esquerda, como PDT, PSB e PV. O PT também sinalizou apoio a Motta, mas ainda precisava oficializar a decisão, conforme informações publicadas pelo G1 nesta sexta-feira (23).
O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada individual da Câmara na próxima legislatura. Com isso, o partido teria prioridade na escolha das primeiras comissões caso não houvesse a formação de blocos parlamentares.
Pelas regras da Câmara, porém, quando os partidos se unem em um bloco, a distribuição dos espaços considera o tamanho do grupo, e não apenas o número de integrantes de cada legenda isoladamente.
PL pode perder prioridade na escolha das comissões
Projeções de técnicos do Congresso indicam que, se o bloco articulado por Motta reunir pelo menos 17 partidos, as 15 primeiras escolhas para as presidências das comissões poderiam ficar com o PT ou com partidos do Centrão. Nesse cenário, o PL passaria a ocupar a 16ª posição na ordem de escolha.
A mudança poderia reduzir o poder de influência da legenda sobre colegiados estratégicos. Uma das disputas de interesse do partido envolve a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes da Câmara. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) já manifestou interesse em presidir o colegiado.
Mesmo com a possível perda de prioridade, o PL manteria direito a sete comissões, conforme a simulação mencionada pelo G1.
O cálculo considera partidos e federações que já sinalizaram participação no bloco, além de possíveis adesões das federações PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede. A composição definitiva, no entanto, dependerá da formalização dos acordos no início da próxima legislatura.
Estratégia pode pressionar o PL
A articulação também pode colocar o PL diante de uma escolha estratégica: aderir ao bloco liderado por Motta ou permanecer isolado e correr o risco de perder espaço na distribuição dos cargos.
Caso entre no grupo, o partido será a maior legenda da composição e poderá preservar sua influência nas negociações. Se ficar de fora, poderá perder a prioridade que teria por possuir a maior bancada individual.
A movimentação ocorre enquanto o PL também busca protagonismo na eleição para a presidência do Senado, em disputa com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Lideranças do Centrão avaliam que o PL antecipou suas pretensões de comandar as duas Casas legislativas, o que teria levado Motta a intensificar as articulações para assegurar sua permanência na presidência da Câmara.
Além das comissões e dos cargos da Mesa Diretora, as negociações envolvem relatorias de propostas, distribuição de funções e emendas parlamentares, ampliando o peso político da formação do bloco.
Com Polêmica Paraíba





