As urnas deram à prefeita seu primeiro resultado político após o rompimento com Antônio Gomes. Agora, o desafio é transformar votos em gestão, liderança e força para 2028.
A eleição de 2026 terminou, mas para Lucinha da Saúde talvez o teste mais importante esteja apenas começando.
Foi a primeira eleição enfrentada pela prefeita depois do rompimento com Antônio Gomes, seu principal apoiador em 2024. Desta vez, os dois estavam em campos diferentes e Lucinha contou diretamente com apenas dois vereadores, Kecynha e Diêgo, além de alguns secretários e lideranças do seu grupo.
Mesmo assim, seus candidatos alcançaram 1.945 votos para estadual, com Nelinho Costa, e 2.255 para federal, com Dr. Damião. Lucinha também apoiou nomes vitoriosos para o Governo do Estado e Senado.
O resultado tem peso porque deu à prefeita algo que ainda não possuía: uma votação construída sob sua própria liderança, sem Antônio Gomes e com uma estrutura política relativamente pequena.
Mas 2026 não garante 2028. A questão agora é outra: o que Lucinha fará com esse resultado?
O primeiro caminho deveria ser olhar para dentro do próprio governo. É hora de avaliar secretarias, corrigir falhas e promover os ajustes administrativos necessários. Quem entrega precisa ser valorizado; onde o governo não funciona como deveria, é preciso mudar.
O melhor projeto eleitoral para 2028 ainda é uma boa gestão em 2027.
Outro ponto decisivo é a comunicação. Não basta fazer, é preciso informar bem. A gestão precisa explicar obras, serviços, dificuldades e resultados com rapidez e clareza. Também deve responder informações equivocadas com fatos, sem transformar a comunicação institucional em instrumento permanente de confronto político.
Na política, quem demora para explicar permite que os outros contem a história primeiro.
Lucinha também precisa ampliar sua base. Ter atravessado 2026 com apenas dois vereadores diretamente ao seu lado mostra força, mas também revela espaço para crescer. O diálogo com a Câmara e com novas lideranças deve ser ampliado, sem esquecer quem permaneceu com ela nos momentos mais difíceis.
Ampliar o grupo será importante. Mas crescer politicamente não pode significar abandonar quem ajudou quando o grupo ainda era pequeno.
Existe ainda a oportunidade de transformar as alianças estaduais de 2026 em benefícios para Marí. A partir de agora, pouco importa ao cidadão apenas saber quem Lucinha apoiou. A pergunta será mais prática: o que Marí ganhou com essas alianças?
Articulação com Governo do Estado, Senado e parlamentares precisa resultar em diálogo institucional, projetos, programas, investimentos e defesa dos interesses do município.
Ao mesmo tempo, Lucinha precisa aumentar sua presença nas ruas, bairros e comunidades rurais. A vitória de 2024 foi apertada. Existe uma parcela significativa do eleitorado que não votou nela e que poderá ser conquistada não pelo discurso, mas pela qualidade dos serviços e pela presença do governo.
Por fim, existe talvez o maior desafio: construir definitivamente uma identidade própria.
Lucinha não pode passar os próximos dois anos governando apenas para responder a Antônio Gomes. Se fizer isso, continuará permitindo que o antigo aliado determine a pauta do seu governo.
Sua melhor resposta ao passado será construir resultados no presente.
2026 mostrou que Lucinha consegue produzir votos com seu próprio grupo. Agora precisa transformar esse capital político em melhor gestão, comunicação mais eficiente, ampliação da base, alianças produtivas e presença junto à população.
Se fizer isso, poderá chegar a 2028 não mais apenas como a sucessora escolhida por Antônio Gomes, mas como uma liderança com trajetória e força próprias.
2026 mostrou que Lucinha pode caminhar com as próprias pernas. Os próximos dois anos dirão até onde ela consegue chegar.
Por Manuel Batista – Jornalista
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