Durante o discurso, Lula afirmou que a seca é um fenômeno natural, mas defendeu que a fome provocada pela falta de água é consequência da falta de compromisso dos governantes.
“Eu sempre disse que a seca é um fenômeno da natureza, que a gente não briga com a natureza. Mas a fome, por conta da seca, é falta de credibilidade, de caráter de quem governa o país ou os estados”, declarou.
O presidente também relembrou a longa espera pela execução da transposição do Rio São Francisco e afirmou que a obra foi adiada durante mais de um século.
“Essa obra está tentada a ser feita desde 1846. De 1846 a 2005, nunca deixaram fazer essa obra. Nunca deixaram. Mas também nunca se importaram com a quantidade de mães, pais e crianças que saíam da sua terra natal, iam tentar a sorte em São Paulo, Rio de Janeiro e que muitas vezes morriam sem conseguir realizar o sonho”, disse.
Lula destacou ainda que o maior desejo de milhares de nordestinos que migravam para outras regiões do país era voltar para suas cidades de origem, mas que isso dependia de condições básicas de sobrevivência.
“E o sonho de todo mundo que ia para o sul do país era um dia poder voltar para sua terra natal. E para ele voltar para sua terra natal, teria que ter algumas coisas que o motivasse. Uma delas era água. A água chegou”, afirmou.
A agenda teve como principal objetivo anunciar o início da entrega das águas do Rio São Francisco ao Rio Grande do Norte por meio do Ramal do Apodi, uma das obras que integram o Projeto de Integração do Rio São Francisco e que deve ampliar a segurança hídrica para municípios potiguares e paraibanos.
Visita acontece em meio às articulações para 2026
Apesar do foco na infraestrutura hídrica, a passagem de Lula pela região ocorre em um momento de intensa movimentação política na Paraíba, onde as lideranças aceleram as articulações para a formação dos palanques das eleições de 2026.
Nos últimos dias, o estado também recebeu as visitas do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que cumpriram agendas políticas e ampliaram a movimentação de possíveis pré-candidatos à Presidência da República.
A programação continua nesta sexta-feira (3), quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) participa de compromissos em Campina Grande durante o encerramento do Maior São João do Mundo.
Impasse na base governista
Na Paraíba, Lula ainda trabalha para consolidar sua base de apoio para a disputa eleitoral do próximo ano. O presidente já manifestou apoio às pré-candidaturas do ex-governador João Azevêdo (PSB) e do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) para as duas vagas ao Senado.
Entretanto, o cenário ainda depende das negociações com o Republicanos. O partido é comandado no estado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), um dos principais aliados do governo federal no Congresso Nacional, e aguarda um gesto político do Palácio do Planalto em favor da pré-candidatura do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta, ao Senado.
A visita do presidente ao Alto Sertão acontece justamente em um momento em que as articulações para a formação das chapas majoritárias ganham força e devem dominar o cenário político paraibano nos próximos meses.
Com Polêmica Paraíba





