Durante discurso em um ato de confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” e se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “presidiário”.
A iniciativa é liderada pelo deputado Jorge Taiana, ex-ministro das Relações Exteriores nos governos de Néstor e Cristina Kirchner e ex-ministro da Defesa na gestão de Alberto Fernández. Segundo ele, as declarações do presidente argentino “envergonham” o país e comprometem a tradição diplomática da Argentina.
No documento, os parlamentares argumentam que as manifestações de Milei violam princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e a autodeterminação dos povos, pilares históricos da política externa argentina.
A proposta também critica a participação de servidores do Ministério das Relações Exteriores da Argentina na comitiva presidencial. Para os deputados, a viagem teve caráter pessoal e político-partidário, sem agenda oficial que justificasse o uso da estrutura do Estado e da diplomacia argentina.
Embora a oposição ocupe apenas 101 das 257 cadeiras da Câmara, os autores da proposta acreditam que podem conquistar o apoio de parlamentares independentes. Para que a moção seja aprovada, é necessária maioria simples entre os deputados presentes na sessão.
As declarações de Milei também provocaram reação do governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos e chamou de volta para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. Em nota, o Itamaraty afirmou que não há precedentes, nos mais de 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países, para declarações consideradas ofensivas por parte de um chefe de Estado argentino.
O episódio amplia a tensão diplomática entre Brasil e Argentina e ocorre em meio à aproximação de Milei com lideranças da direita na América do Sul. Durante a viagem, o presidente argentino também seguiu para o Peru e a Colômbia, onde participou de compromissos políticos com governantes alinhados ao seu campo ideológico.
Com UOL





